Artes

OUTRAS PINTURAS CHINESAS DO MUSEU LUÍS DE CAMÕES **

Zhuang Shen

As pinturas de Guangdong são as mais representadas na colecção do Museu Luís de Camões. Apenas cerca de vinte por cento das pinturas são de artistas de outras províncias; este grupo, e para efeitos de análise, poderá ser dividido em três classificações:

— Pinturas dos leais à dinastia Ming, dos finais deste período;

— Artistas de Xangai de finais da dinastia Qing; e

— Estilos mistos.

OS LEAIS À DINASTIA MING

O suicídio do Imperador Chong Zheng 崇禎, em Beijing, no ano de 1644, punha fim à dinastia Ming. Porém, as lutas entre descendentes da família imperial Ming, por um lado, e da dinastia Qing, por outro, continuaram nos vinte anos que se seguiram. Historiadores referem-se a este período como "Ming do Sul", quando as províncias de Guangdong e Guangxi eram dominadas pelo governo do Sul. Muitos pintores de Guangdong estiveram profundamente envolvidos nestas lutas mas, infelizmente, nenhuma das suas pinturas está representada no Museu Luís de Camões. Estão, no entanto, representados três pintores leais à dinastia Ming, oriundos de outras partes da China e que formam um pequeno mas significativo grupo na colecção do Museu.

Bada Shanren 八大山人 (°ca 1626 -†ca 1708), originalmente conhecido por Zhu Da 朱耷, foi um deles. Nasceu em Nanchang 南昌, na província de Jiangxi, no seio de uma família aristocrata, descendente da família imperial Ming. Deixou a sua terra natal depois do suicídio do imperador [Chong Zheng]. Rapou o cabelo, mudou de nome e tornou-se monge budista. Tempos depois, deixou crescer o cabelo e regressou ao taoísmo, mantendo porém o nome de Bada Shanren, adoptado durante o seu exílio.

Supostamente, Bada Shanren ter-se-á dedicado à pintura apenas depois do seu exílio e conversão. A sua arte é o resultado de uma incansável ânsia de saber, aliada à sublimação profunda das emoções. A técnica do pincel e controlo da tinta não são particularmente bem sucedidas, apesar de cuidadosos e criativos. As pinceladas, extremamente carregadas, que distinguem a sua pintura pretendem transmitir a angústia do exílio e o remorso de quem perdeu a sua terra e não vê possível o regresso. Os animais — peixes, patos e gansos — através dos quais exprime emoções humanas, é um dos seus temas favoritos. Em "O Ganso Solitário" (“ 孤雁圖 ”), da colecção do Museu, o ganso, numa postura patética e de olhos caídos e tristes, expressa vivamente o sentimento de saudade.

Historiadores de arte do século XVII estavam cientes do que tinha sido alcançado por Bada Shanren mas não tem havido consenso sobre a sua cronologia. Parecem existir três teorias diferentes: a) nasceu em 1624 e morreu em 17051; b) nasceu em 1625 e morreu com cerca de oitenta anos de idade — cerca de 17042; e finalmente c) segundo Xie Zhiliu 謝稚柳, nasceu em 1626 e morreu uns anos depois de ter chegado aos oitenta. Zhou Shixin 周士心, um académico recente, segue esta última teoria e, no seu Bada Shanren Nianbu (八大山人年譜) coloca as datas entre 1626 e 17084 Nesta cronologia, e uma vez que a data inscrita no quadro "O Ganso Solitário" é ting mao [丁卯] i. é, 1687-8, a pintura deve ter sido executada quando o artista tinha 62 anos. Esta conclusão é consistente com as descobertas dos investigadores Xie Shi Liu 謝稚柳 e Wang Fang Yu 王方宇 sobre a assinatura do artista. Ambos observaram que o carácter 'ba' do seu nome era por ele usado antes do seu septuagésimo aniversário (1695, de acordo com a última cronologia). Mais tarde, representou o carácter por dois pontos5. A inscrição em "O Ganso Solitário" está escrita no estilo inicial. Se aceitarmos a teoria de Xie Zhiliu torna-se inquestionável a autenticidade da pintura. Se assim for, é então uma descoberta muito valiosa, já que sobreviveram muito poucos trabalhos deste artista.

Wan Shouqi 萬壽祺, (° 1603-†1652), foi outro fiel à dinastia Ming, representado na colecção do Museu com "Pastor e Três Carneiros" (“牧羊圖”). Natural da província de Jiangsu, Wan foi também conhecido pelos seus vários poemas: Jieruo (介若 ), Yizi (一字), e Nianshao (年少). Tal como muitos outros, foi submetido a exames oficiais em Nanjing, em 1630, nos quais ficou aprovado. Wan Shouqi envolveu-se profundamente com o influente movimento conhecido por Fushe 復社, a organização literária reformista que criticava o governo. Muitos dos membros deste grupo foram mortos em batalha em Nanjing, no ano de 1645. O próprio Wan Shouqi dificilmente escapou, após o que desistiu da política e se tornou monge budista.

Qualificado entalhador de selos6, perito em espadas7, músico bem sucedido e um conhecedor de instrumentos antigos de pintura8, Wan Shouqi foi também muito dotado como poeta e como pintor. Uma antologia dos seus poemas, Shixi Caotang Shiji ( 濕溪草堂詩集), ainda hoje continua a ser estudada mas, da sua obra pictórica, são escassos os exemplares. Conhecem-se actualmente cerca de dez pinturas9, entre elas "Pastor e Três Carneiros", existente no Museu. A pintura mostra um monge budista com uma haste de lingzhi (靈芝) na mão direita e um fino tronco de bambú na mão esquerda. Tem sobre os ombros um manto de chuva e, presa à cintura, uma cabaça*. Calça sandálias e está sózinho, de pé, sobranceiro a um penhasco. Além dele vagueiam três carneiros. Não se conhece o significado da composição mas as pregas do vestuário, executadas numa combinação de yousimiao [游絲描, lit.: "linhas com longas e largas malhas de teia de aranha"] e zhelumiao [ 折蘆描, lit.:"linhas como canas de junco partidas"] em ambos os seus "Auto-Retrato"10 e "Pastor e Três Carneiros" podem ser uma chave para a interpretação do simbolismo da pintura.

No Museu Luís de Camões "Grou e Pinheiros", da autoria de Fu Shan 傅山 (° 1607-†1684), é a terceira pintura deste grupo. Bada Shanren e Wan Shouqi eram ambos pintores do sul, da zona do Rio Yangzi, mas Fu Shan, natural de Taiyuan [太原] em Shansi, era um típico pintor nortenho da zona que circunda Huang Ho, o Rio Amarelo. Após o suicídio do imperador Ming, fez-se monge taoísta e retirou-se como eremita, primeiro numa gruta e, mais tarde, numa pequena casa em Taiyuan. Viajou até Yuguan [ 榆關 ], em Beiding [ 北定 ], em Junho de 1654 e aí foi feito prisioneiro e encarcerado, acusado de ser cúmplice dos Ming do Sul, tendo sido libertado apenas em Julho do ano seguinte.

Os trabalhos de Fu Shan que sobreviveram são ainda mais raros que os de Bada Shanren e de Wan Shouqi. "Grou e Pinheiros" é um dos poucos trabalhos que se encontra datado mas, infelizmente, devido às depauperadas condições do papel, a maioria dos caracteres estão ilegíveis. Se, como parece, a inscrição se refere ao ano cíclico guiyou [ 癸酉 ] a pintura deverá ter sido executada em 1633-1634, quando o artista tinha apenas trinta e seis anos de idade11. A julgar pela forma das linhas e pela técnica da aguada, este trabalho parece-se mais com uma pintura digital. Se estas duas conjecturas estiverem realmente correctas, então esta pintura terá um valor decisivo para o estudo da obra de Fu Shan.

Concluindo, embora apenas três das pinturas dos últimos leais à dinastia Ming pertençam à colecção do Museu Luís de Camões, isso não retira qualquer importância à colecção, dado que são extremamente difíceis de encontrar pinturas de Chua Ta, de Wan Shouqi e de Fu Shan.

A ESCOLA DE XANGAI NOS FINAIS DA DINASTIA QING

A Escola de Xangai, fundada no século XIX, representou uma evolução na história da pintura chinesa mas, na última metade desse século, sob o ímpeto de pintores do sul que se dirigiram para norte, aquando da Revolta Taiping [太平天國起義], Xangai tornou-se um florescente centro de actividade, contribuindo sensivelmente para o desenvolvimento da moderna pintura chinesa.

Nessa altura formaram-se diversas sociedades de artistas com o objectivo de estudar pintura e caligrafia12, tendo as actividades artísticas da Escola de Xangai atingido assim o seu auge.

Os "dois Ren" — Ren Fuchang 任阜長 e Ren Bonian 任伯年 —foram os pintores de Xangai, dos finais Qing, mais reconhecidos. Inspirado em Chen Hongshou 陳洪绶, um pintor de Zhejiang dos finais do período Ming, o estilo de ambos é arcaico à primeira impressão; contudo, após uma atenção mais cuidada, revela um pretenciosismo que resulta precisamente do fastidioso esforço empregue para parecer arcaico. As suas pinturas foram no entanto extremamente populares em Xangai e redondezas.

Ren Bonian, natural de Zhejiang, ter-se-á fixado em Xangai provavelmente bastante cedo, perto de 185613, tendo aí residido até ao final da vida, ou seja, durante cerca de cinquenta anos. Por volta de 1856, quando Ren Bonian terá chegado, Ren Fuchang já era um reconhecido pintor. Bonian seguiu e desenvolveu o estilo de Fuchang, construindo assim a sua reputação e acabando por ser largamente aclamado.

Na colecção do Museu Luís de Camões existem dois rolos verticais de 'pássaros-e-flores', da autoria de Ren Bonian, "Pato, Bambú e Rochedo" (“竹石鷓鴣”) e "Salgueiro e Garça ao Luar" (“月下柳鷺圖”). Infelizmente, nenhum destes dois trabalhos está datado. A pintura "Salgueiro e Garça" executada com uma combinação das técnicas gongbie-xieyi, revela enorme destreza e é bastante original.

Tal era o ambiente do movimento artístico de Xangai contra o qual teve que se debater Qian Huian 錢慧安(°1833), oriundo de Soochow em Jiangsu, e um dos mais importantes pintores de Xangai dos finais do século XIX. Competir com os "dois Ren" não era tarefa fácil. Tal como os outros pintores profissionais, parece que Qian Huian se confrontava com o seguinte dilema: enquanto a competição com os Ren nos seus próprios terrenos era derrota certa, desenvolver um estilo artístico independente dificimente prometia sucesso. No entanto, Qian Huian resolveu o problema concentrando-se na pintura 'figurativa'. Inseria muitas vezes as suas figuras humanas num fundo de paisagens simples mas raramente tentou a verdadeira pintura 'paisagista' ou de 'pássaros-e-flores'. Deste modo evitou a difícil competição com os Ren e chegou até a fazer amizade com eles.

No estilo, Qian Huian seguiu a obra de outros dois pintores anteriores, Gai Qi 改琦 e Hua Yan 華喦. O seu estilo é uma síntese do deles. Estilisticamente, a pintura de Hua Yan é simples e fácil de aceitar e a de Gai Qi luminosa e suave, quase feminina. Qian Huian conseguiu combinar os dois estilos e criar um novo estilo de temas populares executado com pinceladas simples e luminosas, extremamente decorativo, com o qual alcançou reputação no mundo artístico de Xangai, florescendo a par com os Ren e as suas reminiscências da beleza arcaica.

A colecção do Museu Luís de Camões inclui três exemplares: uma pintura em forma de leque e dois álbuns de folhas, relativamente secundários, mas não menos representativos da importância deste artista. A pintura em forma de leque, intitulada "Figuras ao Estilo de Tang Yin" (“撫唐寅”), e um dos álbuns de folhas, "Figuras no Estilo de Hua Yan" (“ 撫華喦 ”), são ambos de 1871; o outro álbum, "No Estilo de Chen Chun" (“ 倣陳白楊 ”) está datado de 1889.

Além de Ren Bonian e de Qian Huian, estão representados na colecção do Museu Luís de Camões mais dois pintores da escola de Xangai. São Hu Gongshou 胡公壽 e Hu Zhang 胡璋. Antes de analisarmos qualquer um deles, parece-nos pertinente mencionar a importância que o estímulo da Escola de Xangai teve na evolução da pintura japonesa, durante o período Meiji. Literatos japoneses tais como Yasuda Lo-jin 安田老人 (°1830-†1895) e Murada Kashiya 村田香谷 (°1828-†1912) estudaram com o pintor Hu Gongshou 胡公壽, muito apreciado no Japão.

Hu Gongshou (°1823) era natural de Huating (華亭), na província de Jiangsu, perto de Xangai. O seu nome original era Hu Yuan 胡遠, sendo Gongshou o seu zi mas, tanto este nome como os nomes artísticos, Xiao Qiao 小樵 e Hengyun Shanren橫雲山人, eram pouco conhecidos. Segundo Wang Tao 王韜, o erudito cujas notas sobre Xangai, Yingchang Zazhi (6 chuan) ( 灜場雜志), foram editadas em 1862 — o renome de Hu Gongshou deveu-se tanto às suas pinturas como às caligrafias e poesias. Wang Tao refere que ele foi particularmente hábil como pintor paisagístico apesar de não ter, de facto, produzido muitas pinturas deste tipo. Na realidade, Hu Gongshou não era apenas hábil na pintura de paisagens, segundo um outro erudito, Zhang Mingke張鳴珂— autor do livro sobre pinturas Hansongge Tanyi Suolu ( 寒松閣談藝璅錄 )— Hu Gongshou era tão bom na pintura de flores como de paisagens. Sentia uma predilecção especial por ameixoeiras em flor e Zhang Mingke descreveu-as como "Velhos troncos e luxuriantes ramos horizontalmente dispostos: vê-las é como viver numa montanha isolada" (老幹繁枝,橫斜屏嶂,對之如在孤山籬落也).

Ambos os aspectos da arte de Hu Gongshou, pintura e caligrafia, estão representadas no Museu Luís de Camões com dois exemplares. "Pinheiro e Ameixoeiras em Flor" (“松梅雙清”) é um grande rolo vertical com a inscrição de um poema que nos dá uma visão da sua caligrafia se bem que não faça justiça à sua poesia. Esta forte e viril composição foi pintada quando o artista tinha quarenta e cinco anos, no auge da sua energia. Nesse mesmo ano, Hu Gongshou pintou também "O Ribeiro Taohua" (“桃華潤圖”), pertencente à colecção do Museu. No entanto, como pintura em formato de leque, é um trabalho menor e não pode ser considerado ao mesmo nível do rolo "Pinheiro e Ameixoeira em Flor".

Hu Zhang 胡璋 um pouco mais novo que Gongshou e Qian Huian, nasceu em 1848 em Tongcheng ( 桐城 ), centro literário da província de Anhui. O seu pai, Hu Yin 胡寅, foi prefeito do distrito mas desistiu da vida oficial para se dedicar apenas à pintura. Hu Zhang, seguindo as pisadas do pai, tomou-se um artista de certo renome antes de se mudar para Xangai onde se casou com uma japonesa. Mais tarde viajou pelo Japão. Hu Zhang, como o antecessor Hu Gongshou, era aparentemente tido em muito melhor estima no Japão do que na própria China, sua terra natal. A sua obra é considerada como significativamente influente no desenvolvimento da moderna pintura monocromática do Japão. O seu trabalho "Águias e Pinheiros" (“ 勁鷊凌風 ”), da colecção do Museu, é um rolo vertical de enormes dimensões, típico da escola de Xangai. É uma pintura extremamente forte e impressionante, com pinceladas firmes e claras, onde o velho pinheiro é tão cheio de elegância como o que se pode contemplar no "Pinheiro e Ameixoeira em Flor" de Hu Gongshou.

Merecedoras de atenção são ainda duas outras pinturas, também da escola de Xangai, pertencentes à colecção do Museu Luís de Camões: "Disfrutando a Brisa sob os Canaviais" (“ 柳荷招涼圖 ”), de Bao Dong 包棟 e "Dois Galos" (“ 斗雞圖 ”) de Jin Yuan 金元. A primeira, uma paisagem pintada num leque, foi executada com um pequeno pincel, revelando pouca destreza. Na verdade, não se coaduna com as figuras bem conseguidas do artista, descritas por Zhang Mingke 張鳴珂 no seu Hansongge Tanyi Suolu (寒松閣談藝璅錄). A segunda, de Jin Yuan, revela uma rudeza que, apesar de uma certa vitalidade, contradiz tudo o que se disse sobre a elegância e refinamento do seu autor. "Dois Galos" foi pintado em 1864, provavelmente quando Jin Yuan servia na prefeitura de Haiyang, em Guangdong.

Relativas ao mesmo período da dinastia Qing, o Museu possui ainda outras pinturas da escola de Xangai, tais como as pinturas em forma de leque de Yang Nianbo 楊念伯 e de Zhang Baosheng 張寳生, demasiadas para serem aqui analisadas. Se bem que não se possa dizer que esta é uma colecção completa, poderia servir, sem dúvida, como o núcleo de uma futura expansão, que tanto gostaríamos viesse um dia a ser possível.

PINTURAS DIVERSAS DO MUSEU LUÍS DE CAMÕES

Dada a diversidade da sua natureza, toma-se difícil classificar as restantes pinturas da colecção do Museu. Entre as mais importantes, referimos as seguintes:

"Colhendo Folhas de Chá na Montanha" ("深陰採茶圖 "), de Huang Shen 黃慎.

Natural de Fujian, Huang Shen foi considerado um importante pintor pelos coleccionadores de arte de Guangdong de meados do século XIX. Este grande rolo foi provavelmente levado nessa altura para Guangdong14. As suas poderosas e expressivas pinceladas fazem desta pintura uma obra prima. As pinturas de 'pássaros-e-flores' de Huang Shen são bastante vulgares, mas enormes paisagens em rolos como esta são extremamente invulgares15. É uma obra de imenso valor.

"Representação Pictórica de um Poema Tang" ("唐人詩意圖"), de Wang Pu 王浦.

Wang Pu era bisneto de Wang Yuanqi 王原祈, mestre de pintura 'paisagista' dos primórdios do período Qing. A pintura de Wang Pu, caracterizada pelo vigor e pela técnica de grossos salpicos ou manchas de tinta, é no entanto radicalmente diferente da pintura tradicional executada pelo seu famoso antepassado. Datado de 1813, o trabalho a que nos referimos ilustra bem o facto de que, no início do século XIX, a pintura tradicional do século XVIII já havia perdido muito da sua influência. A técnica dos salpicos de tinta revela a influência dos "Oito Excêntricos de Yangzhou" [揚州八怪罞] que floresceram nos meados do século XVIII.

"Ilustrações de Recipientes de Bronze" ("吉金圖"), de um álbum de Yi Tingxuan 易廷宣.

Pouco se sabe sobre este obscuro pintor dos finais da dinastia Qing e princípios da República. O álbum está datado de 1919. O estudo dos bronzes arcaicos era bastante popular entre os eruditos da dinastia Qing e os recipientes arcaicos eram um tema muito comum na pintura artística dessa época. Não tem predecentes a integração de valores arqueológicos e estéticos, tal como é representada pelas ilustrações destes álbuns, e que aqui referimos como uma característica da pintura da dinastia Qing.

Tradução do original inglês de Raquel Carmona;

transcrição em pinyin da romanização

original por Zeng Yongxiu;

revisão de texto de Joaquim Leal e Fátima Gomes.

**Texto publicado: Helen Ho Chan & Chuang Chan, A Catalogue of Chinese Paitings in Museum Luis de Camoes, Macau, HK, Uni v. Hong Kong, 1977, pp.53-67.

*N. E. — Para a interpretação simbólica destes elementos cf. "Expressão de Votos nos Cartões de Boas-Festas Chineses" de Ana Maria Amaro, nesta edição.

NOTAS

1. LI Tan 李旦, Bada Shanren Congkao « 八大山人叢考 », in "Wenwu" «文物», (7) 1960.

2. CHU Shengzhai朱省齊, Shuhua Suibi « 書畫隨筆», Singapore, Shijie shuju 世界書局, [1960?], p.33.

. XIE Zhiliu 謝志柳, Zhu Da «朱耷», Xangai, Renmin Meishu Chubanshe 1958.

4. ZHOU Shixin 周士心, Ba da Shanren Nianpu «八大山人年谱», in "Meishu Xuebao" «美術學報», Taibei, Zhongguo Huaxuehui Chuban, (4) 1969; ZHOU Shixin 周士心, Bada Shanren Jiqi Jishu « 八大山人及其藝術», Taibei, Yishu Tushu Kongzi Chuban, 1974 — O autor mudou a data da morte do artista para 1705, tornando-a assim mais próxima da estimativa feita por Xie Zhiliu.

5. XIE Zhiliu 謝志柳, Beixing Suojian Shuhua Suoji «北行所見書畫瑣記», in "Wenwu", (10) 1963; XIE Zhiliu 謝志柳, Gonggu Chuanqi Xiesheng ce yu Bada Shanren Zaoqi Zuopin («故宫傳綮寫生冊與八大山人早期作品»), in INTERNATIONAL SYMPOSIUM ON CHINESE PAINTING (SIMPÓSIO INTERNACIONAL DE PINTURA CHINESA), National Palace Museum, Taiwan, 1970 [Comunicação oral] — Para a teoria de Wang Fangyu.

6. YE Zhou 葉舟, Guangyin ren zhuan «廣印人傳», chuan 13 — Onde o autor se refere a Wan Shouqi 萬壽祺; HUANG Binhong 黃賓虹, DENG Shi 鄧實, eds., Meishu Congshu («美術叢書»), vol.2, no. 2 — Para um Yinshuo 印説 (1 chuan) de Wan Shouqi.

7. SUN Yunjin 孫運錦, Wan Shouqi Zhuan (« 萬壽祺傳»), in LUO Zhenyu 羅振玉, ed., "Wan Nianshao Xiansheng Nianpu" (« 萬年少先生年譜 ») — Em apêndice.

8. WAN Shouqi 萬壽祺, Mobiao «墨表» (com um apêndice, Lunmo «論墨») — Um livro sobre antigas pedras de tinta. Ver: Cuilangganguan Congshu («翠琅玕館叢書»), vol.64; Moshu « 墨書» (congshu vol.2, no. 2) — Consultar ambas estas obras para Mobiao «墨表». SUN Yunjin 孫運錦, Wan Shouqi «萬壽祺, vol.1 — Onde este Lunmo «論墨» aparece como Molun ( «墨論»).

9. Nove destas peças estão abaixo listadas por ordem cronológica, como se segue:

1) "Jovem Vista da Janela de um Pavilhão" ( 美人倚窗圖), datado de 1631. Álbum pintado no estilo gongbi [工筆 ]. Pertencente à colecção do British Museum, Londres.

2) "Senhora com Leque" (持扇美人圖), datada de 1642. Álbum reproduzido em Shenzhou Guoguang Ji («神州國光集»), vol. 1, 19??.

3) "Pinheiros Altos e Montanhas Íngremes" ( 高松幽岑圖), datado de 1646. Rolo pintado sobre seda. Pertencente ao coleccionador japonês Hashimoto Sueyoshi, de Kansai.

Ver: Paintings of Ming and Qing Dynasties, Kyoto, Benrido, 1964, il.67; Catalogue ofMing and Qing Paintings in Hashimoto Sueyoshi Collection, Sumigawa Shioten, Tokyo,1972, il.62 —Ambas estas obras contêm uma reprodução desta pintura.

4) "Despedida no Rio Outonal" (秋江別思圖). Rolo horizontal pintado sobre papel.

Ver: Yilin Congshu (« 藝林叢書 »), Hong Kong, Commercial Press, 1974, vol. 10, p. 190 — Embora esta pintura não tenha sido ainda publicada, de acordo com esta publicação, pertence à colecção do Museu Zhejiang, na República Popular da China.

5) "Auto-Retrato" ( 自畫像). Actual paradeiro desconhecido e não datada.

Ver: TUAN Shih, Wan Shouqi Zihuaxiang ( « 萬壽祺自畫像») in "Yilin Zonglu", vol. 10 — Onde esta obra se encontra mencionada.

6) Uma ilustração do estúdio do artista, o caotang 草堂, datada de 1651. Composta por quatro unidades executadas sobre papel e montadas em conjunto com o formato de rolo horizontal. Pertencente à colecção do Musée Guimet, Paris.

7) Um álbum de dezoito páginas com paisagens e flores, datado de 1650. Pertencente à colecção do Art Museum da Universidade de Princeton.

8) "Pastor e Três Carneiros" (牧羊圖 ), no Museu Luís de Camões, Macau.

9) "Árvore Nua Sobre Encosta Rochosa" ( 枯木石岸圖), não datada. Em forma de leque e assinada.

Ver: SIREN, Osvald, Chinese Painting: Leading Masters and Principles, London - New York, 1956 - 1958, 1958, vol.7, p.419 — Segundo o autor, adquirida por Vannotti, em Lugano, Suíça.

10. Idem,

11. FANG Wen 方聞, Fu Qingzhu Nianpu (« 傅青主年譜»), Taibei, Zhonghua Shuju 中華書局, 1970.

12. Destas sociedades, as mais importantes eram as três seguintes:

1) "Pinghuashe" "萍花社 " fundada em 1907-1908 por Qian Huian 錢慧安, Wu Zonglin 吳宗麟, Wang Li 王禮e outros. Foi substituída por uma nova sociedade, "Yuyuan", "予園 ", de que Qian Huian se tornou membro. Mais tarde sucedeu a Yang Yi 楊逸 e Gao Yong 高邕 como presidente dessa sociedade.

2) "Wanmishanfang" " 宛米山房", fundada em 1909 por Chen Shichi, 陳石癡, Wang Kun, 汪琨, Zhu Wenhou, 朱文候, Qian Xuehe, 雪鶴, e outros. Em 1910, Wang Kun e alguns membros da sociedade formaram a "Shanghai Calligrahy and Painting Society" ("上海書畫研究會 ").

3) "Qingyiguan", "青漪館", fundada em 1911 (último ano da dinastia Qing) por Hu Tanqing, 胡郯卿, Hong Shuru, 洪庶如, e outros.

13. XU Beihong 徐悲鴻, CHEN Zhichu 陳之初, eds., Ren Bonian Pingzhuan (任伯年評傳), Singapore, 1953? [reeditado em: "Daren" "大人 ", Hong Kong, Daren Chubanshe 大人出版社, (36) April [Abril] 1973.

14. ZHUANG Shen 莊申, Some Observations on Guangdong Painting, op. cit., 1973.

15. Também se conhece um álbum de dez paisagens: nove pertencentes à colecção Charles A. Drenowatz, em Zurique, Suíça; a décima encontrando-se no Ping Shan Museum, Universidade de Hong Kong. Ver: LI Zhujin, A Thousand Peaks and Myriad Ravines: Chinese Paintings in the Charles A. Drenowatz Collection, Ascona, 1974, vol.2. — Onde estão ilustradas nove das pinturas pertencentes a esta colecção.

desde a p. 247
até a p.