Mestres de Cultura

2017

Introdução:A “pintura em rolo de papel” é uma expressão artística com uma longa tradição na China que desenvolveu características próprias, exercendo uma profunda influência noutras formas de arte. Sendo possível encontrar essa prática noutras culturas, nenhuma é comparável à tradição chinesa em termos de continuidade histórica e de complexidade artística. Esta palestra visa explorar as “especificidades deste meio de expressão” através da análise de uma série de obras-primas da antiga China, incluindo Luoshen fu tu (A ninfa do rio Luo), Han Xizai yeyan tu (Entretenimento nocturno de Han Xizai ), Qingming shanghe tu (O festival Qingming ao longo do rio), entre outras. Em geral, neste tipo de pintura há uma dimensão “espacial” e “temporal” que lembra o cinema moderno ou a televisão. Mas o seu carácter “privado” – reservado ao observador que vai desenrolando a pintura – tem implicações culturais e sociais, serve um propósito artístico particular que remete para certas convenções e cenários. Os pintores da antiga China desenvolveram um interesse especial por esta expressão artística e criaram uma tradição visual própria, descobrindo continuamente o rico potencial da arte da pintura em rolo de papel. Por consequência, só explorando essas especificidades podemos começar a examinar o desenvolvimento histórico da pintura em rolo e compreender como gerações de artistas descobriram e utilizaram o potencial desta forma visual, transformando um simples rolo de papel numa expressão artística concreta e individualizada.

Orador:Wu Hung

A respeito do orador:Membro permanente da Academia de Artes e Ciências dos Estados Unidos, Wu Hung é um conceituado historiador de arte, crítico, e curador. Actualmente detém a cátedra Harrie A. Vanderstappen no Departamento de História de Arte e no Departamento de Línguas e Civilizações do Extremo Oriente da Universidade de Chicago. É ainda director do Centro de Arte do Extremo Oriente e Curador Consultor do Smart Museum da mesma universidade. Os trabalhos de Wu Hung abrangem a arte tradicional e contemporânea.

2016

Introdução:"Criatividade cultural" e "economia criativa" são dois conceitos recentes que contribuíram para a revitalização e a retoma da competitividade económica de algumas cidades. Localidades ambiciosas reconhecem que o contexto e as condições operacionais alteraram-se drasticamente; perceberam a necessidade de introduzir mudanças na forma de gerir; compreenderam que os recursos, os bens, as atitudes e os atributos que no passado elevaram uma cidade ao sucesso podem constituir um estorvo no futuro. Na sua palestra Charles vai expor casos bem sucedidos de famosas cidades de cultura espalhadas pelo mundo, pretendendo com isso demonstrar que para estabelecer uma cidade criativa são fundamentais a ambição e a criatividade a somar aos eventos culturais, elementos que considera necessários à evolução urbana. Charles abre novas perspectivas para todos aqueles interessados no estabelecimento de uma cidade criativa, viva e habitável.

Orador:Charles Landry

A respeito do orador:Charles Landry é uma autoridade internacionalmente reconhecida no que diz respeito à aplicação da imaginação e criatividade no desenvolvimento urbano. Nos finais da década de 1980 renovou o conceito de “Cidade Criativa” a propósito da capacidade duma cidade de gerar condições que permitam às pessoas e organizações, pensar, planear e agir com imaginação na resolução de problemas e na criação de oportunidades. Esta ideia, que se transformaria num movimento global, imprimiu uma mudança na forma das cidades julgarem as capacidades e recursos urbanos. Charles Landry trabalha em diversas cidades um pouco por todo o mundo para ajudar a desenvolver o seu potencial. É um orador, autor e inovador largamente aclamado que procura facilitar a implementação de projectos urbanos complexos. Actuando como uma espécie de amigo crítico junto dos decisores e líderes locais, Charles ajuda a encontrar soluções originais e adequadas para dilemas aparentemente irresolúveis, como o de conciliar a inovação e a tradição, a criação de riqueza com a coesão social, ou ainda a de encontrar o ponto de equilíbrio entre a afirmação do carácter local e a tendência para a globalização. Charles tem trabalhado e proferido palestras em mais de 60 países, ajudando a mudar a forma como avaliamos e aproveitamos as possibilidades de reinventar as nossas cidades. A sua “Tabela da Cidade Criativa” é um instrumento influente para aferir o ecossistema criativo dos lugares. Charles Landry escreveu para cima de uma dúzia de livros, o mais recente dos quais se intitula The Digitized City que explora as questões fundamentais da era urbana. Ainda deste autor, The Art of City Making, foi considerado o segundo melhor livro sobre urbanismo, numa votação electrónica recentemente promovida pelo website Planetizen. Noutros livros o autor abordou assuntos como os sentidos da cidade, o interculturalismo, o comércio e a cultura.

2015

Introdução:Esta palestra aborda o processo criativo, a organização, as principais tarefas e o método de trabalho interno da Academia Sueca. Fundada em 1786 pelo rei Gustavo III, a Academia Sueca integra duas outras instituições, a Real Academia Sueca de Ciências e a Real Academia Sueca de Letras, História e Antiguidades. A não inclusão da palavra “Real” na designação da Academia Sueca baseia-se na intenção do rei de assegurar que esta se manteria totalmente independente quer da Coroa quer do Governo. Tendo como missão inicial salvaguardar e dignificar a língua sueca, a palestra irá explicar como tem sido levada a cabo esta tarefa pela Academia bem como os antecedentes, as condições de trabalho e os benefícios dos 18 membros que a compõem. Acresce a essa tarefa original da Academia a atribuição anual do Prémio Nobel da Literatura, um dos cinco prémios instituídos pelo inventor Alfred Nobel, um ano antes da sua morte em 1896. A palestra irá abordar ainda quem tem direito a seleccionar os candidatos, o processo de escolha dos mesmos e as dificuldades associadas a esse processo, os critérios de avaliação de obras literárias da Academia, etc. Será também discutida a importância da tradução na execução desta tarefa. Finalmente, a palestra dará a conhecer alguns rumores que circularam sobre autores chineses, visto os trabalhos da Academia Sueca, sobretudo aqueles relacionados com o Prémio Nobel, estarem normalmente envoltos em grande secretismo.

Orador:Göran Malmqvist

A respeito do orador:Göran Malmqvist, nascido em 1924, é um sinólogo sueco internacionalmente célebre, Professor Emérito na Universidade de Estocolmo e o único membro vitalício do Comité do Prémio Nobel da Literatura versado em cultura chinesa e fluente em mandarim. É membro da Academia Sueca, da Academia Real de Ciências Sueca, da Academia Real de Humanidades Sueca, da Academia Real de Ciências da Dinamarca e do Colégio da Europa. É ainda Doutor Honoris Causa da Universidade Charles de Praga, República Checa, e da Universidade Chinesa de Hong Kong, e foi duas vezes Presidente da Associação Europeia para Estudos Chineses. Göran Malmqvist é um estudioso de longa data de sinologia, dedicando-se ao estudo dos dialectos chineses, da fonética chinesa desde a antiguidade até aos nossos dias, passando pela época medieval, e da sintaxe, métrica e literatura chinesa, dando particular destaque ao desenvolvimento histórico da poesia.

2014

Introdução:O objectivo desta conferência é mostrar o funcionamento de duas forças universais, de vectores contrários, o desejo e o medo de existir, na construção das subjectividades e na dinâmica da sociedade. 1. Numa primeira parte analisaremos o desejo – como puro desejo de existir, pois existir (e não apenas viver biologicamente) é desejar. 2. Numa segunda parte mostrarei como existe sempre uma outra força que contraria os fins do desejo. 3. Numa terceira parte procurarei mostrar as consequências do embate destas forças no plano político.

Orador:José Gil

A respeito do orador:José Gil vive e trabalha em Lisboa, mas nasceu em Lourenço Marques, actual Maputo, capital de Moçambique. Após completar seus estudos numa escola secundária da capital moçambicana, em 1957 ingressou na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, para cursar Ciências Matemáticas. No ano seguinte, transferiu-se para a cidade de Paris, onde prosseguiu estudos da mesma disciplina. Ao perceber que preferia Filosofia, contudo, decidiu mudar de curso, obtendo sua licenciatura pela Faculdade de Letras da Sorbonne em 1968. No ano seguinte concluiu mestrado com monografia sobre a ética no pensamento de Kant. Seu doutoramento veio em 1982, com tese orientada por François Châtelet. Intitulada O Corpo como campo do Poder, foi lançada como livro em 1988. Entre 1965 e 1973 foi professor de Filosofia num liceu, período que regista sua passagem por Vincennes e Córsega, de que resultou um livro sobre os sistemas políticos corsos. A partir de então, dirigiu o Departamento de Psicanálise e Filosofia da Universidade de Paris VIII, concomitantemente realizando tradições de textos científicos para uma entidade vinculada à Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Em 1976 regressou a Portugal para exercer o cargo de adjunto do Secretário de Estado do Ensino Superior e da Investigação Científica. Em 1982 lecionou como professor auxiliar convidado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade Nova de Lisboa, onde lecionou Estética e Filosofia Contemporânea.Paralelamente, na condição de director de programa, organizou seminários em diversas instituições, como o Collège International de Philosophie em Paris, a New School for Dance Development em Amsterdão/Arnhem, a Universidade de São Paulo e a Universidade de Medellin, Colômbia. Em Janeiro de 2005, a revista francesa Le Nouvel Observateur apontou-o como um dos “25 grandes pensadores do mundo”.