Jaime Correia do Inso (1880−1967), oficial da armada e escritor, revelou-se um apaixonado por Macau e pela China, tendo-lhes dedicado parte importante da sua actividade literária. Isto sem descurar que também realizou importantes estudos históricos relativos à marinha portuguesa e, episodicamente, sobre alguns assuntos acerca de Timor, África e Brasil, esparsos em várias revistas e jornais.
Mas o cerne deste artigo é a questão de saber se Jaime do Inso é ou não correctamente qualificado como orientalista, com lugar entre os orientalistas portugueses, sendo para isso necessário determinar o que deve entender-se por Orientalismo e, especificamente, por Orientalismo português, recorrendo a vários estudiosos como Edward Said, Everton Machado e Isabel Pires de Lima.
Apresenta-se, depois, uma síntese da vida e obra intelectual de Jaime do Inso, afirmando-se que ele se revela como um homem do seu tempo, comprometido com as linhas fundamentais da política colonial portuguesa da primeira metade do século XX.
Por fim identificam-se os principais sinais de Orientalismo em O Caminho do Oriente, uma obra que embora revestindo a característica de romance com singelo enredo, não deixa de ser um misto de crónica, no qual se descreve uma viagem marítima de Lisboa a Macau e algumas cenas da vida em Macau e Hong Kong.
Conclui-se que Jaime do Inso é realmente um Orientalista porque O Caminho do Oriente está cheio de indícios, constantes de excertos que se transcrevem ao longo do artigo, demonstrativos de estereótipos e de convicções reveladoras de manifesto eurocentrismo presente no Orientalismo Português.