Na Tcha, Crenças e Costumes de Macau

Em resposta à política nacional do Património Cultural Intangível, e com a colaboração da Associação do Templo de Na Tcha e da Associação do Templo da Calçada das Verdades de Macau, os dois templos dedicados a Na Tcha, os quais tinham tido muito pouca comunicação nos últimos cem anos, iniciaram uma colaboração e discussão, apresentando a candidatura de “Na Tcha, Crenças e Costumes de Macau” à Lista de Património Cultural Intangível de Macau em 2012. Os seus esforços conjuntos são uma tomada de consciência da necessidade de harmonia e comunhão na preservação da cultura tradicional local. Actualmente, a fim de divulgar a cultura local, as duas associações iniciaram também uma colaboração para apresentar a candidatura de “Na Tcha, Crenças e Costumes de Macau” à Lista Nacional do Património Cultural Intangível. O presidente da Associação do Templo de Na Tcha, Ip Tat considera que a associação tem a responsabilidade de promover e divulgar o espírito de Na Tcha de diferentes formas, para tornar estas crenças mais conhecidas.

Uma personagem mítica, Na Tcha era, segundo a lenda, o terceiro filho do Rei Celestial Li Jing, e possuía poderes omnipotentes. A crença em Na Tcha começou nas dinastias Tang e Song, remontando há mais de 300 anos. Além de Hong Kong e Macau, construíram-se centenas de templos dedicados a Na Tcha na China e em Taiwan, na Tailândia, Singapura, Indonésia e noutros lugares. Esta crença combinou-se com os costumes e a cultura locais, desenvolvendo um estilo único; assim, as lendas, aniversários e rituais apresentam todos diferenças muito significativas nestas regiões.

Porque foi construído um Templo de Na Tcha atrás das Ruínas de São Paulo se já existia um no sopé da Fortaleza do Monte? Ip Tat refere que há duas explicações: Na Tcha, montado nas Rodas de Fogo de Vento, era visto frequentemente na encosta do Monte a brincar com outras crianças, as quais protegia. Foi então construído um templo nessa encosta em sua honra; outra explicação é que numa altura em que grassava em Macau uma epidemia de peste, mas que não afectou a zona do Monte, os moradores do Pátio de Espinho acreditaram que tal se deveu à protecção de Na Tcha. O responsável do Templo emprestou a estátua de Na Tcha aos moradores do Pátio, e a epidemia foi controlada. Assim, o templo deste culto divino foi erigido.

Este ano, em comemoração do 15.º Aniversário da Transferência da Administração de Macau para a China, irão levar-se a cabo vários programas de celebração. Além da “Cerimónia Sacrificial Taoista”, do “Pedido de Bênção, Segurança e Paz”, da “Cerimónia Taoista de Pedido de Bênção e de Mudança de Sorte” para suplicar por bom tempo, paz e prosperidade, celebrar-se-á ainda o aniversário de Na Tcha na China, Taiwan, Hong Kong e Macau, acompanhado de actividades populares que incluem a parada da imagem de Na Tcha e actuações de tambores e gongos.

Ip Tat está convicto de que a essência do Festival de Na Tcha pode sensibilizar os jovens para a virtude do amor filial tradicional na China, bem como para a importância da transmissão da cultura local, sublinhando que a Associação do Templo de Na Tcha, como uma organização de transmissão de itens do património cultural intangível, visa proteger as crenças e costumes de Na Tcha. O presidente da associação espera que o departamento governamental competente e o sector académico intervenham por iniciativa própria nos trabalhos de preservação do património cultural, com o intuito de promover a continuidade do património cultural intangível de Macau.

A Sala de Exposições do Templo de Na Tcha, situada perto do Templo de Na Tcha e do Troço das Antigas Muralhas de Defesa, foi criada pelo Instituto Cultural, em cooperação com a Associação do Templo de Na Tcha. A associação deseja que no futuro próximo a Sala de Exposições possa ter conteúdos digitais, permitindo aos visitantes conhecer melhor a cultura e a história das crenças e costumes de Na Tcha através deste conteúdos e de suportes digitais, tais como aplicações para telemóveis. O edifício foi construído em vidro com o objectivo de aproveitar a iluminação natural e provocar a sensação de aumento de espaço.