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Monumentos Históricos de Macau

Classificação a Património Mundial Proposta: Local Cultural
Localização: Região Administrativa Especial de Macau


Os monumentos históricos de Macau representam o mais antigo, completo e rico legado arquitectónico europeu que, ainda hoje, permanece intacto no território chinês. Trata-se de um resultado único, apenas possível devido ao intercâmbio e assimilação culturais entre a China e o Ocidente, durante mais de quatro séculos. Estes monumentos são ainda testemunho da longa história das cruzadas cristãs levadas a cabo no Extremo Oriente e, principalmente, são um símbolo da coexistência pacífica e harmoniosa do pluralismo e da diversidade socioculturais. Nas principais zonas urbanas da cidade antiga, existem exemplos notáveis da arquitectura tradicional chinesa, que também representam o espírito de intercâmbio e simbiose culturais patente em todos os edifícios históricos.

Os monumentos históricos de Macau são uma das principais prioridades na candidatura a Património Cultural Mundial.

Característica Notável: Ponto de encontro entre o Oriente e o Ocidente, símbolo do pluralismo cultural pacífico na Era Moderna.

 

Os locais nomeados são:

Templo de A-Ma

O complexo do Templo de A-Ma é constituído pelo Pavilhão de Entrada, Arco Memorial, Vestíbulo de Orações, Vestíbulo da Benevolência, Vestíbulo de Guanyin e Pavilhão Zhengjiao Chanlin. As diversas estruturas foram construídas em épocas distintas, pensando-se que o Pavilhão Zhengjiao Chanlin terá sido construído em 1488. Contudo, o Templo de A-Ma apenas começou a tomar forma em 1828. Achados arqueológicos demonstraram que a mais antiga estrutura do Templo de A-Ma é o Vestíbulo de Orações. Este foi consagrado a Tian Hau e construído em 1605 pelos proprietários de estabelecimentos comerciais e pelas entidades governamentais locais. Em 1629, o Vestíbulo de Orações sofreu uma remodelação. A pedra esculpida adicionada à trave-mestra da entrada do Templo de Orações, em 1605, ainda hoje existe. Tendo em conta os achados arqueológicos pode concluir-se que de todos os templos chineses existentes em Macau, o Templo de A-Ma é o mais antigo.


Templo de A-Ma

 


Templo de A-Ma

 

Quartel dos Mouros

O Quartel dos Mouros foi erguido em 1874. Em 1871, um regimento indiano partiu de Goa para Macau com o objectivo de reforçar a força policial local. Para instalar o regimento, Cassuto, arquitecto italiano, ficou encarregue de desenhar um edifício de estilo mourisco. O desenho arquitectónico é a resposta perfeita ao clima local: amplas varandas ao longo de ambos os lados do edifício, proporcionando uma excelente ventilação.Em 1905, passaram a funcionar no edifício os departamentos da Polícia Alfandegária e Naval, albergando agora a Capitania dos Portos de Macau.


Quartel dos Mouros

 


Quartel dos Mouros

 

Casa do Mandarim


Casa do Mandarim

A Casa do Mandarim foi construída por volta de 1881. Foi a residência de Zheng Wenrui e de seu filho Zheng Guanying, um eminente pensador chinês contemporâneo. Zheng Guanying fez parte do grupo de letrados, publicando diversos livros que, ainda hoje, são considerados clássicos. Duranteanos, muitas foram as famílias que ocuparam o complexo residencial, que ficou num completo estado de ruína, conservando, no entanto, grande parte do seu aspecto original. Em Julho de 2001, o Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau adquiriu a propriedade, tendo iniciado obras de remodelação da casa, para que esta recupere o seu aspecto inicial.

 

Igreja e Seminário de S. José


Igreja e Seminário de S. José

Em 1728, os padres jesuítas fundaram este seminário com o intuito de formar missionários chineses. O seminário foi, no entanto, encerrado durante algum tempo, antes de reabrir em 1784. Desde a sua fundação, contr ibuiu para a disseminação do Catolicismo na China, através da formação de centenas de missionários. Em 1800, foi-lhe atribuído o título de “Seminário Real” devido aos fantásticos feitos obtidos na educação religiosa. A Igreja de S. José foi concluída em 1758. Na primeira pedra e numa placa de cobre, que se encontram no interior da igreja, existem inscrições homenageando os nomes das pessoas envolvidas na construção e restauro da estrutura e a data em que a obra foi concluída. É considerada uma das mais extraordinárias igrejas de Macau.

Entre 1998 e 1999, a Igreja foi submetida a obras de restauro, devolvendo ao edifício o seu aspecto original. Em Dezembro de 1999, foi reaberta ao público.

 

Teatro D. Pedro V


Teatro D. Pedro V

O Teatro D. Pedro V é um edifício arquitectónico classificado erigido em 1860 pela comunidade portuguesa de Macau, em homenagem ao rei português D. Pedro V. Uma vez concluído, tornou-se no principal local para a realização de celebrações e cerimónias portuguesas. O teatro sofreu várias remodelações, mas esteve encerrado durante vinte anos devido a uma praga de térmitas, tendo sido reaberto apenas em 1993, após novas obras de remodelação. Em 2001, foi levado a cabo um restauro interior, para que a parte principal do edifício voltasse a ter o seu desenho original.

 

Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais (antigo Leal Senado)

Este edifício, que albergava o Leal Senado de Macau, é actualmente a sede do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais da R.A.E. de Macau. Inicialmente, este local destinou-se à Câmara Chinesa, construída durante o reinado do Imperador Wan Li (1573–1620), e era utilizado pelos oficiais chineses, que foram para Macau com o objectivo de implementar as leis do Imperador. Aqui se encontravam com os oficiais portugueses, tendo como objectivo a supervisão dos assuntos relativos aos portugueses residentes em Macau. Em 1783, os portugueses adquiriram à China o edifício da Câmara Chinesa, bem como o terreno circundante, e, em 1784, construía-se um novo edifício de estilo português naquele local. Subsequentemente, foram realizadas várias obras de restauro, tendo a última sido levada a cabo em 1940, ficando com o seu aspecto actual. Este edifício é considerado o mais fabuloso exemplo da arquitectura portuguesa em Macau.

Nas traseiras do edifício existe um pátio interior ajardinado e, no primeiro andar do edifício, existe uma biblioteca que contém uma valiosa colecção com cerca de 30000 volumes datados desde o séc. XVII até meados do séc. XX, constituída por obras da literatura portuguesa, inglesa, arte e cultura chinesa, assim como jornais e livros europeus publicados no séc. XIX, alguns deles considerados verdadeiras relíquias.


Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais

 


Edifício do Instituto para os Assuntos Cívicos e Municipais

 

Santa Casa da Misericórdia


Santa Casa da Misericórdia

D. Belchior Carneiro, o primeiro bispo católico de Macau, fundou a Santa Casa da Misericórdia de Macau em 1569. A Santa Casa da Misericórdia teve origem numa instituição de beneficência portuguesa, fundada em Lisboa, pela Rainha D. Leonor de Portugal. Desde a sua fundação que a comunidade portuguesa em Macau foi o principal alvo das acções de caridade da Santa Casa da Misericórdia de Macau, funcionando no edifício, desde o início, um hospital, um lar para crianças abandonadas, um lar para idosos e um infantário. Em documentos históricos chineses, a Santa Casa da Misericórdia era chamada “Templo da Remuneração”, pois era o local onde os funcionários da organização de beneficência iam levantar o seu salário. Existia também uma capela contígua, à qual os chineses chamavam “templo”.

 

Secção da Antiga Muralha da Cidade


Secção da Antiga Muralha da Cidade

A construção da muralha da cidade remonta a 1569. Os portugueses tentaram construir uma estrutura de defesa militar para proteger a cidade de agressores estrangeiros e, após os portugueses terem derrotado os holandeses, aquando da invasão de 1622, as autoridades Ming aprovaram a construção de mais estruturas militares permanentes, para reforçar a muralha defensiva da cidade. Um mapa de Macau, elaborado em 1632, demonstra que a cidade se encontrava já devidamente protegida a Norte, Este e Sul. Com excepção do Porto Interior, a Oeste, Macau estava cercado pela muralha da cidade, com fortalezas em locais estratégicos, o que a tornava uma cidade bem salvaguardada em termos militares. Esta Secção da Muralha Antiga da Cidade fazia parte dessas estruturas defensivas.

 

Templo de Na Tcha


Templo de Na Tcha

O Templo de Na Tcha fica situado por detrás das Ruínas de S. Paulo e é consagrado ao legendário Na Tcha. De acordo com as crenças populares, Na Tcha foi fruto de uma gravidez que durou três anos e meio, com poderes especiais que lhe foram concedidos por um sacerdote tauista. Ainda jovem, e recorrendo aos seus poderes, lutou contra o Rei Dragão para proteger a sua aldeia. Este pequeno templo foi fundado em 1888 e reconstruído em 1901. Foi restaurado em 1995 e novamente em 2000, recuperando grande parte das suas características originais. As obras incluíram reparações no telhado do templo, reforço das paredes e substituição da madeira apodrecida da estrutura.

 

Ruínas de S. Paulo

As Ruínas de S. Paulo constituem a fachada do que originalmente era a Igreja da Madre de Deus, contígua ao Colégio de S. Paulo. A estrutura original da igreja remonta a 1565, enquanto o colégio foi construído em 1594. Este colégio pautava-se por um programa académico de nível superior, tornando-se na primeira Universidade do Extremo Oriente.

Em 1595 e depois em 1601, a igreja ficou totalmente destruída pelas chamas, tendo sido, em 1602, reconstruída uma terceira vez. Os trabalhos de reconstrução continuaram entre 1637 e 1640, sendo a fachada que se conhece hoje a última parte a ser concluída. Em 1835, um incêndio de grandes proporções destruiu a totalidade do complexo, incluindo o Colégio de S. Paulo e a Igreja da Madre de Deus, restando apenas o lanço de degraus em granito, uma grande parte dos alicerces e a impressionante fachada em granito, actualmente conhecida como “Ruínas de S. Paulo”.

De 1837 a 1854, o local foi utilizado como cemitério para missionários.


Ruínas de S. Paulo

 


Ruínas de S. Paulo

  

Fortaleza do Monte

A construção da Fortaleza do Monte teve início em 1617 e ficou concluída em 1626. Durante os últimos quatro séculos, a Fortaleza do Monte foi submetida a um grande número de alterações. Nos primeiros anos da sua existência, a entrada principal, virada a Sul, era utilizada como depósito de munições. No centro da plataforma superior, existia uma torre com três andares, equipada com canhões em cada um deles. O acesso para a fortaleza faz-se através de um curto trilho sinuoso que leva a uma ampla plataforma na parte superior. Quatro fileiras de casas servem de quartel militar, estando a fortaleza igualmente equipada com poços e um arsenal com capacidade para munições e provisões para sobreviver a um cerco de mais de dois anos. A Fortaleza do Monte foi a principal estrutura do sistema defensivo de Macau, permitindo uma vasta cobertura da costa. De 1623 a 1740, este local também serviu de residência ao Governador português.

Permaneceu como estrutura militar restrita até por volta de 1965, altura em que o quartel foi convertido em observatório meteorológico. Em 1996, os serviços meteorológicos transferiram as suas operações para a Ilha de Taipa, sendo a Fortaleza reaberta ao público.

Em Setembro de 1996, o Governo de Macau mandou demolir a torre de observação meteorológica e, em 1998, o local foi transformado no actual Museu de Macau.


Fortaleza do Monte

 


Fortaleza do Monte

 

Fortaleza da Guia (incluindo a Capela da Guia e o Farol da Guia)


Capela da Guia

A construção da Fortaleza da Guia teve início em 1622, tendo ficado concluída em 1638. A Fortaleza estava equipada com sentinelas, depósitos de munições e torres de vigia. Permaneceu com o estatuto de área militar restrita até 1976, altura em que foi aberta ao público, passando a ser uma das principais atracções turísticas de Macau. No passado, a Fortaleza era aberta ao público apenas no dia 5 de Agosto para a celebração da festa consagrada a Nossa Senhora das Neves e, ao nono dia do nono mês do calendário chinês, em homenagem a Chung Yeung, altura em que se presta culto à memória dos entes queridos falecidos. A Fortaleza manteve praticamente o seu aspecto original até aos nossos dias.

Igualmente construída em 1622, a Capela da Guia, situada no interior da Fortaleza, é consagrada a Nossa Senhora da Guia. Em 1996, durante as obras de restauro e reparação levadas a cabo pelo Instituto Cultural, foram descobertos frescos dentro da Capela, que, pensa-se, foram pintados por artistas chineses. As pinturas murais retratam temas bíblicos alternados com representações típicas chinesas, constituindo exemplos perfeitos da conjugação harmoniosa das culturas Oriental e Ocidental. Trata-se de uma obra de qualidade ímpar, não encontrada em nenhuma outra igreja da região. O restauro dos frescos ficou concluído em 2001.

A construção do Farol da Guia foi concluída em 1864, entrando em funcionamento a 24 de Setembro do ano seguinte, facto que o torna no mais antigo farol da China e do Extremo Oriente. Mantém-se em permanente funcionamento desde então.


Capela e Farol da Guia

 


Fortaleza da Guia