menuP

lan

 


Heidi Ho

Presidente do Instituto Cultural do Governo da Região Administrativa Especial de Macau


 

Mensagem

Em 1972, sob os auspícios da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), os Estados-membros assinaram a “Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural”, pela qual firmavam o seu compromisso em proteger os bens colectivos da Humanidade. A República Popular da China tornou-se num dos Estados-membros em 1985 e, até hoje, já apresentou vinte e oito candidaturas bem sucedidas na UNESCO, visando a inscrição de sítios na “Lista de Património Mundial”. Destes, vinte e um foram classificados como Património Cultural Mundial, três foram classificados como Património Natural Mundial e quatro integram-se em ambas as categorias. Macau, a primeira cidade portuária da China a revelar-se ao resto do mundo na era moderna, serviu como centro estratégico da rota marítima da seda e ponto de cruzamento das culturas Ocidental e Oriental. O estilo arquitectónico incomparável de Macau ganhou forma, gradualmente, ao longo dos últimos quatrocentos anos. Foi graças às meticulosas obras de restauro e protecção a que o património arquitectónico tem sido sujeito, que este se manteve intacto, testemunhando ainda hoje a história de Macau. Desde a transferência de soberania de Macau para a China, em 1999, que a Administração Estatal para o Património Cultural da República Popular da China tem dado um enorme apoio e encorajamento ao Governo da R.A.E. de Macau no que se refere à respectiva candidatura a Património Mundial.

Para complementar o projecto de candidatura a Património Cultural de Macau, o Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau convidou vários artistas locais para visitar oitos sítios escolhidos da China candidatos a Património Mundial, com o intuito de produzirem as suas próprias interpretações artísticas dos locais.

De Agosto a Outubro de 2002, cinco grupos de artistas visitaram: os Monumentos Históricos de Macau; Diaolou, na cidade de Kaiping, na Província de Guangdong; Tulou, na Província de Fujian; Túmulos Ming, em Pequim; Túmulo Xiaoling (da dinastia Ming), em Nanquim; Ruínas Yin, na Província de Henan; Socalcos de Honghe Hani, na Província de Yunan; e Três Rios Paralelos, também na Província de Yunan. A iniciativa obteve um feedback positivo da comunidade, dado que diversas organizações e particulares organizaram, subsequentemente, outras viagens para complementar esta iniciativa. Assim, foi produzido um grande número de obras de arte, que posteriormente foram incluídas na exposição.

A exposição “Tesouros Chineses” é uma das maiores iniciativas no campo das artes visuais organizadas pelo Governo da R.A.E. de Macau, contando com a apresentação de um milhar de trabalhos de 183 artistas, em diversos formatos: Pintura a tinta da china, caligrafia chinesa, pintura a óleo, gravura, póster, vídeo e fotografia. Para fazer a selecção das obras a ser apresentadas na exposição, foi constituído um júri composto por peritos nacionais e internacionais, nomeadamente: Xu Jiang, Presidente da Academia Chinesa de Belas Artes; Shigeo Fukuda, designer/artista célebre japonês; Wenda Gu, artista contemporâneo, oriundo de Nova Iorque; Zhou Kai, pintor especialista em tinta da china, oriundo de Shenzhen; e Wu Jiabao, Fundador e Presidente da Sociedade para a Educação Fotográfica de Taiwan. Após uma avaliação rigorosa, foram seleccionadas 269 obras de arte que conquistaram um lugar nesta exposição. O júri revelou-se bastante satisfeito com a qualidade dos trabalhos e com o nível de interesse demonstrado pelos artistas de Macau.

A exposição e o catálogo apresentam oito locais da China candidatos a Património Mundial. Apresentam as interpretações feitas pelos artistas dos bens do património convertidas em preciosas obras de arte, que ilustram na íntegra o carácter incomparável dos diversos locais e das suas gentes. O catálogo que acompanha a exposição desempenha um importante papel no reforço da consciência por parte da comunidade local para este tema, fazendo renascer aspectos da vida da cultura chinesa até agora desconhecidos da comunidade. Servirá também para apresentar ao resto do mundo as maravilhas da China e apoiar a promoção da preservação do património e o desenvolvimento turístico. Para além disso, estas obras possibilitam uma perspectiva diferente tanto para quem está envolvido nas artes visuais e na história da arquitectura, como para o público em geral, estimulando a reflexão sobre uma questão que deve ser abordada em conjunto: a preservação do património.

O Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau continuará a reforçar a promoção da preservação do património, assim como a consciência da população para este assunto de grande importância. De acordo com o estipulado na “Convenção para a Protecção do Património Mundial, Cultural e Natural”, uma das responsabilidades do Instituto Cultural é criar programas educacionais e informativos específicos relativos ao património, através da análise de diferentes perspectivas históricas e da investigação de outras áreas relacionadas com o património. A principal preocupação é fomentar a apreciação e o respeito pelo património cultural e natural, de modo a garantir a existência de uma consciência generalizada para a importância da protecção do património.

Através desta exposição, o Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau espera igualmente alargar as oportunidades para o intercâmbio cultural e educacional entre os vários locais candidatos a Património Cultural. Espera-se que exista uma comunicação constante, partilha de informação e reforço da cooperação na definição de novas políticas que visem e fomentem o desenvolvimento global e as obras de preservação do património nas respectivas regiões. A preservação do património representa um empreendimento monumental: não só beneficia as geracões actuais, como também, e este é o aspecto principal, salvaguarda um valioso recurso para as gerações vindouras. Neste novo século, o Instituto Cultural tudo fará para melhorar a gestão e a preservação do património e apoiar a vida cultural desta promissora Região Administrativa Especial.

Heidi Ho
Presidente do Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau