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Shi Hu

(Nota: o texto que segue é uma interpretação do significado do poema de Shi Hu):
 

  Shi Hu viajava pelas montanhas de Bali e parou para descansar à tardinha numa pequena cabana. Embalado pelo murmúrio dos insectos, dos sapos e dos pássaros, adormeceu e sonhou com o seu pai. Ao acordar, viu um pássaro verde na janela que tentava chegar perto de si, eriçando as penas e debicando levemente na janela. Percebeu que deveria tratar-se da alma do seu pai. Em lágrimas, tornou-se o “Pássaro Místico”.

  O enquadramento do sonho de Shi Hu era-lhe desconhecido, mas parecia ver a alma do seu pai numa terra estranha. A sua face não tinha mudado, mas não falou, e era como se houvesse uma barreira entre os dois. Recordou-se que o seu pai tinha vivido toda uma vida de pobreza e de privação, acarretando, contudo, a responsabilidade de criar
uma família. Apesar disso, fora um homem bondoso e justo. De repente,
encheu-se de tristeza.

  No seu sonho, Shi Hu fizera perguntas ao seu pai sobre esse lugar estranho, sobre assuntos da sua aldeia natal, sobre a pesca no rio Landian e sobre a saúde da sua envelhecida mãe. Quando acordou, viu um pássaro verde à janela, eriçando as penas, e parecia verdadeiramente que o seu pai o estava a chamar, como se estivesse a falar com ele alegremente, na noite escura. A alma do seu pai tinha vindo de muito longe para ter uma conversa tão familiar com ele... Como poderá não haver um Deus?

  Oh! ...O seu incorpóreo pai transformarase num pássaro verde; será que para lhe poder revelar a sabedoria mística dos céus? As estrelas instaram--no a não se esquecer da santidade de Bali, mas o seu pai disse-lhe, a partir do centro do universo, que “a sua alma pertencia à sua terra natal.”