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Shigeo Fukuda – Mestre da Arte da Óptica


Quando ensinava no Mathias International Design Institute, na Universidade Chongqing Jiaotong, no corrente ano, mostrei aos estudantes um cartaz anti-guerra no qual o autor ilustrou o bico de um pássaro como um par de tesouras cortando o cano de uma arma. Existem muitas obras que adoptam o conceito da destruição de armas e de promoção da paz; contudo, o que recomendei aos meus estudantes foi que trabalhassem ideais que reflictam a ideia de construção a seguir à destruição. O famoso designer japonês, Shigeo Fukuda, criou um cartaz em 1975, no qual representou uma bala virada contra a boca do cano da própria arma, e com o qual recebeu o Grande Prémio do Concurso Internacional de Design de Cartazes da Polónia.

Tenho sido um admirador de Shigeo Fukuda desde que comecei a estudar design. Fukuda já havia criado, há mais de trinta anos, o seu estilo único e pleno de humor e com um forte poder visual, que consistia principalmente em linhas e imagens simples. Shigeo Fukuda é exímio no uso de contradições visuais e de combinações de objectos fora do vulgar para reflectir o conceito de surrealismo. É também um mestre das artes da óptica, ou do que chamou “jogos das artes visuais”. Tem jogado esses jogos com alguma obras conhecidas: nos anos 70, usou a tecnologia da câmara escura para criar, no total, cinquenta “sorrisos” baseados no conhecido retrato de “Mona Lisa”. Para uma exposição de cartazes, criou, em 1984, outro retrato de “Mona Lisa” com bandeiras de vários países. Para a sua exposição “Trabalhos de Shigeo Fukuda – Arte tri-dimensional”, transformou a pintura “Letztes Abendmahl” (“A Última Ceia”) num cartaz publicitário.

Os seus trabalhos ópticos não são apenas divertidos como são também caracterizados pela provocacão e pela inovação. Shigeo Fukuda é bem humorado e de trato fácil. A mente inovadora de Shigeo Fukuda é como uma fonte que gera muitas ideias a partir de um único tema. Por exemplo, a Terra com cinco meridianos e cinco paralelos tem sido frequentemente representada nos seus cartazes, incluindo o aperto de mãos de paralelos e meridianos, rios formados por meridianos e paralelos, a imagem da Terra a mendigar, e mesmo a imagem da Terra a falar... a qual tem tentado transmitir a mensagem do amor pelo planeta e pelos seres humanos.

Tem-me sido frequentemente posta por jovens designers a seguinte questão: por que razão preferem os mestres cingir-se a um estilo unificado? Tenho respondido que o estilo do design não foi criado por uma única técnica, mas que foi antes um método amadurecido após prolongadas experiências de criação artística. Ainda me recordo da primeira vez que me encontrei com Shigeo Fukuda, no Fórum Internacional Pan-Pacífico de Design de Tóquio, no início dos anos 80, durante o qual um outro designer lhe perguntou porque razão utilizava frequentemente apenas um estilo. Respondeu: “se posso usar tal estilo para expressar as minhas ideias da melhor forma; então para que hei-de mudar?“ Tal resposta expressava claramente que o estilo não é importante, desde que seja o que melhor expresse as ideias-chave.

O uso que faz de instalações ópticas é uma das características principais do seu trabalho, patente na sua exposição individual em Nara, no Japão, há mais de dez anos. A entrada da exposição foi construída no formato da “Esfinge”, constituída por figuras geométricas. Podiam ver-se pombas “voadoras” penduradas à frente desta estrutura, em que as cores preta e vermelha formavam, no meio das pombas brancas, o retrato de Fukuda. Uma instalação ainda mais incrível era a que mostrava a transformação do quadro “Girassóis”, de Van Gogh, em objectos abstractos projectados no solo, e o quadro só era visível quando se estava exactamente à sua frente.

No ano passado, realizou-se o Concurso Nacional de Design para Estudantes – Fundo Kan Tai Keung, na Universidade de Jiangnan, em Wuxi, tendo Shigeo Fukuda sido convidado para ser jurado no concurso. Trabalhámos novamente juntos, em conjunto com alguns mestres designers da Alemanha e dos E.U.A. na selecção das melhores obras dos concorrentes. Na cerimónia de entrega de prémios, Shigeo Fukuda efectuou um discurso notável de apreço por aqueles jovens designers. Shigeo Fukuda esteve recentemente na China, em Chongqing, para apresentar uma exposição individual e algumas palestras. Os seus esforços em prole do desenvolvimento do design na China têm sido muito apreciados por todos os que trabalham nesta área.


Kan Tai Keung