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Shigeo Fukuda
– Um Cometa no Firmamento do Design


Shigeo Fukuda tem cinco anos – talvez seis. Possui o olhar inocente, o entusiasmo espontâneo, a curiosidade e a criatividade de uma criança que imagina ao acaso e faz analogias improváveis.

Shigeo Fukuda é uma miragem. O poder das ilusões ópticas reside na sua urgência não traduzida. Podem ser forjadas antificialmente como “Peppers Ghost”, um efeito cénico vitoriano de fumo e espelhos que, ao criar uma aparência da realidade, convenceu completamente as audiências. Podem ser um fenómeno natural como a Fada Morgana. Uma miragem frequentemente avistada nos Estreitos de Messina (Itália), quando navios, oásis e cidades são vistas suspensas no céu, direitas ou de pernas para o ar. Também podem ser produtos da imaginação. Contudo, não há ilusões que nos enganem sempre, ou quase sempre - porque se houvesse seriam provavelmente uma realidade. Com Shigeo são provavelmente reais!

Shigeo Fukuda é um sonhador. A criação de ilusões não significa necessariamente enganar as pessoas; pode ser uma expressão do princípio fundamental do homem mudar o mundo segundo os seus sonhos. Assim como é obrigação do cientista corrigir o erro, é função do artista cortejar a ilusão. Por outras palavras, manipular as nossas percepções para que vejamos o mundo de uma nova forma.

Shigeo Fukuda é um doughnut. Ele usa as formas para conceber outras formas. As formas permitem ao olho distinguir objectos no espaço ou em áreas, numa configuração. Também podem existir independentemente, num vácuo visual como tal, como as letras nesta página. Embora tenhamos a opção de ver o doughnut ou o buraco, ficamo-nos normalmente pelo doughnut. Contudo, o pequeno pedaço ao qual habitualmente não prestamos atenção é tão relevante como aquele a que prestamos. Um não pode existir sem o outro.

Shigeo Fukuda pode ser Júlio Verne. Não viaja apenas para lugares estranhos e exóticos na sua mente; aparece também inesperadamente em lugares ao acaso em todo o mundo. Já o vi a vasculhar quiosques em Hong Kong, a dançar rock and roll no cimo da torre de Toronto, a comer raclette em Paris, a fotografar trompe l’oeil em Florença, a usar chapéus cómicos em Toyama, a dar conferências sem palavras em Londres. Olhando, observando, absorvendo, e rindo de excitação em toda a parte.

Shigeo Fukuda é um design. Usa calções bordados com laços e câmaras. Camisas únicas feitas de outras camisas – com colagens de mangas, punhos, colarinhos, frentes e costas. Usa combinações de fatos, adquiridos nas suas passagens por boutiques, mercados e lojas. Provavelmente compra os atacadores dos sapatos em Tóquio.

Shigeo Fukuda é uma estrela no firmamento do design – pensando melhor talvez seja mais um cometa.


Alan Fletcher, Londres