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M E S A G E M
Zhang Daqian pintor mundialmente conhecido da China
contemporânea foi, também, uma personalidade histórica lendária. Apesar
de, ao longo da sua vida, se ter deparado com algumas vicissitudes, teve
uma carreira artística longa, actividades sociais intensas, grandes
êxitos e enorme influência, tornando-se um exemplo singular na área das
belas-artes chinesas durante o século XX.
Desde a década de trinta, Zhan Daqian e Qi Baishi
foram denominados como os dois grandes pintores no Sul e no Norte da
China, respectivamente. Xu Beihong, também pioneiro no âmbito das
belas-artes da China contemporânea, considerou-o como “o maior pintor
nos últimos quinhentos anos”. O facto de, durante a segunda metade de
sua vida, ter residido noutros países permitiu-lhe promover o
intercâmbio cultural entre Oriente e Ocidente, fazer novos amigos,
realizar exposições e difundir a cultura do seu país assegurando que a
pintura chinesa ocupasse um importante lugar na arena internacional. Em
1958, foi designado pela Associação Internacional de Belas-Artes de Nova
Iorque como “O Melhor Pintor Contemporâneo”; ao ser condecorado com a
medalha de ouro granjeou enorme orgulho e grande fama para a nação
chinesa.
Zhang Daqian teve uma brilhante vida de oitenta e
quatro anos; um terço desse tempo foi passado no exterior. Apesar de ter
residido noutros países, foi sempre dedicado à sua Pátria, cujas
maravilhosas paisagens amava, nunca tendo perdido o entusiasmo para
reproduzir incansavelmente as montanhas e rios do continente chinês.
Difundiu e aprofundou com energia e entusiasmo a cultura tradicional da
China no exterior, tendo executado grande quantidade de excelentes
obras, impulsionando a reforma, a prosperidade e o desenvolvimento da
pintura chinesa e dando uma significativa contribuição para a conquista
de um lugar no panorama artístico contemporâneo.
Graças ao seu talento, perspicácia e afincado estudo
Zhang Daqian ocupa uma notável posição na história das belas-artes da
China. Aos 42 anos, abandonou a cidade onde vivia com todo o conforto e
partiu para Dunhuang onde, ao longo de dois anos e sete meses, e em
condições difíceis, se dedicou ao estudo e reprodução de 276 pinturas
murais das dinastias Wei Norte, Sui, Tang e Cinco Dinastias, das quais
183 estão guardadas no Museu da Província de Sichuan. As pinturas murais
que reproduziu elevaram a sua mestria técnica e artística para uma
posição culminante e propiciaram a divulgação da arte de Dunhuang tanto
na China como no estrangeiro.
Em meados do século XX, estabeleceu uma relação
especial com Macau onde gostava de passear no Largo do Senado, em
particular em frente à Sta. Casa da Santa Misericórdia, fazia compras no
Mercado de S. Domingos, pintava para estimular pintores jovens locais e
cozinhava pratos delicados de Sichuan em homenagem aos amigos e colegas.
Apresentar a “Exposição de Reproduções dos Frescos de
Dunhuang e Sinetes de Zhang Daqian” constitui uma honra e um evento
memorável para Macau, sendo bem assim uma rara oportunidade de estudo
para os pintores locais. A este facto acresce o de a exposição propiciar
à população local e aos turistas a possibilidade de apreciarem e
conhecerem a pintura mural de Dunhuang e arte de Zhang Daqian.
Após a transferência da soberania de Macau para a
China, o Governo da Região Administrativa Especial de Macau tem-se
empenhado em desenvolver e divulgar a cultura chinesa. A realização
desta exposição é disso reflexo. Foram várias as entidades públicas e
privadas que deram o seu apoio, pelo que, em nome do Instituto Cultural
do Governo da RAEM, expresso a minha gratidão ao Gabinete de Ligação do
Governo Popular Central na RAEM, à Direcção Nacional das Relíquias
Culturais da China, à Direcção das Relíquias Culturais da Província de
Sichuan e ao Museu da Província de Sichuan.
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Heidi Ho
Presidente do Instituto Cultural do Governo da RAEM |
Zhan Daqian (1899-1983), cujo nome original era Zhang
Zhengquan, natural de Nei Jiang, Província de Sichuan, foi um pintor
lendário que contribuiu muito para a evolução das técnicas de pintura
chinesa. Graças ao seu talento e versatilidade, foi um gigante na
história das artes visuais da China – tudo reproduzia a lápis, tinta da
china ou aguarela: paisagens, flores, plantas, animais e figuras
humanas. Destacou-se igualmente como poeta, escultor de sinetes e
calígrafo. Sucessor das técnicas tradicionais da pintura chinesa, foi
pioneiro na interligação desta com a pintura contemporânea.
Reproduziu obras memoráveis de várias dinastias o que
constituiu um empreendimento raramente visto na história das belas-artes
contemporânea. Na primavera de 1941, e com o intuito de pesquisar a
origem e evolução da pintura chinesa, levou alunos, filhos e sobrinhos
até Dunhuang onde, durante cerca de três anos, se dedicaram à
investigação das pinturas murais das antigas grutas - numeraram as
grutas de Mogao e Yu Lin, purificaram a distribuição de relíquias
artísticas na região, desenvolveram uma série de estudos científicos e
académicos e superaram todas as dificuldades para reproduzir 276
pinturas murais das dinastias ou períodos dos Dezassete Reinos, Wei
Norte, Wei Oeste, Sui, Tang, Cinco Dinastias, Liang, Xia Oeste e Yuan,
compondo uma heróica epopeia na história artística contemporânea.
Zhang Daqian atribuiu a maior relevância à exploração
do valor artístico a partir da reprodução de obras antigas afirmando: “É
vital aprender com a tradição. O nosso país tem uma longa tradição
artística de pintura e muitas obras importantes deixadas por grandes
pintores. Em diferentes contextos sociais, e usando as energias de toda
uma vida, acumularam experiências e conhecimentos. Devemos estudar e
dominar estas experiências valiosas e de as praticarmos e desenvolvermos
a fim de as integrarmos na formação do nosso próprio estilo. Mas tal
corresponde a um exercício de vocação, ao projecto de uma vida. E isso
implica muitos e duros sacrifícios.” Para Zhang Daqian, a reprodução de
pinturas antigas foi um percurso de procura da beleza. Depois dos três
anos passados em Dunhuang, recuperou não só o, há muito desaparecido,
antigo brilho da pintura chinesa e a grandiosidade das pinturas murais
dos tempos mais prósperos da Dinastia Tang, como abriu e estabeleceu um
novo estilo na pintura chinesa.
Meio século passou, mas a arte de Zhang Daqian
continua a manter plena vitalidade. As obras apresentadas nesta
exposição em Macau foram prudentemente escolhidas pelo Museu da
Província de Sichuan, entre cerca de duzentas peças reproduzidas por
Zhang Daqian e depositadas neste Museu.
É um grande e feliz acontecimento a inauguração da
“Exposição de Reproduções dos Frescos de Dunhuang e Sinetes de Zhang
Daqian” na Primavera do novo século, em Macau. Aproveito esta
oportunidade para, em nome do Museu da Província de Sichuan, me
congratular com este evento e para expressar os mais sinceros
agradecimentos ao Instituto Cultural da RAEM e a todas as personalidades
que muito contribuíram para a sua organização.
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Director dos Serviços de Relíquias
Culturais da Província de Sichuan
Liang Xuzhong |
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