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ÁLBUM DE REPRODUÇÃO DOS FRESCOS DE DUNHUANG
PREFÁCIO DE ZHANG DAQUIAN PARA A 1a. EDIÇÃO


No Verão de 1941, fiz uma viagem até ao Noroeste. Fiquei tão fascinado pelos frescos de Dunhuang que permaneci durante três anos. Quando na viagem de regresso passei por Jiayuguang, o ponto final da Grande Muralha, o meu estado de encantamento era tal que não conseguia deixar de recordar aqueles inesquecíveis dias e noites passados junto aos frescos. De acordo com a lenda, no segundo ano do reinado Jiayuan, da dinastia Qing, um monge chegou a Dunhuang e ao passar pela montanha Mingsha viu, no seu topo, milhares de raios de luz dourada como se ali se encontrassem mil budas. E, assim, decidiu escavar uma gruta onde esculpiu a imagem de Buda. A partir daí, mais grutas foram construídas à volta da original durante as dinastias posteriores, da Wei à Yuan. Actualmente totalizam 309 que se estendem por dois ou três lis, mas é impossível identificar a primeira gruta cavada pelo monge. As grutas abertas na Dinastia Tang foram denominadas de Grutas Mogao mas agora são designadas por Grutas de Mil Budas, e ficam no árido deserto (onde nem ervas existem), a 40 lis da capital do distrito, Duahuang. Apesar de situadas no deserto são, curiosamente, rodeadas por álamos e pelas águas de um rio. A verdade é que as Grutas de Mogao são um local sagrado há séculos ou mesmo há milhares de anos. Sou um apaixonado pela Pintura e admiro profundamente as pinturas das Grutas Mogao. A procura dos verdadeiros originais das Seis Dinastias, da Dinastia Sui e da Dinastia Tang é semelhante à busca de um sonho. Como se desconhecem registos históricos sobre a sua existência, estes frescos maravilhosos ficaram esquecidos na noite da memória humana. Os ainda existentes remontam a um período compreendido entre a Dinastia Wei e a Dinastia Xixia, tendo sido aumentados e enriquecidos por pintores de cada dinastia que lhes sucederam. Os frescos das Dinastias Yuan e Wei estão imbuídos duma grandeza inspirada em montanhas e florestas. Nessa sequência, os frescos da Disnatia Sui caracterizam-se pela serenidade e simplicidade. Na dinastia Tang, o estilo dos frescos revela frescura e elegância; nível atingido era sublime. Por seu lado, as Cinco Dinastias e o período primordial da Dinastia Song seguiram o estilo da Dinastia Tang Tardia; é notório um género menos requintado devido à instabilidade social e à falta de talentos. Na Dinastia Xixia, verifica-se a renovação das ideias mas a técnica de retrato não alcançou um nível elevado. Para além das Grutas de Mil Budas, existe também o Vale de Mil Budas, aliás Grutas Yuling que, também no Distrito de Dunhuang, se situa a 180 lis da cidade Anxi. Essas grutas que se estendem por um ou dois lis foram, ao que se crê, construídas no período de Beiliang. Mas, infelizmente, a maioria ficou arruinada restando, hoje em dia, apenas cerca de vinte. Os poucos frescos que sobrevivem são da Dinastia Tang Primordial. Permaneci em Dunhuang três anos, em que estudei e reproduzi os frescos das diversas dinastias que ainda se encontram nas Grutas Mogao e Yulin. Como lamento que tal tão tardiamente tenha sucedido; com apenas três anos de árduo trabalho que poderei dizer sobre a história da pintura? As minhas energias são limitadas. Das cópias que produzi, e que decerto fariam rir os autores das originais, seleccionei algumas para compilar o presente álbum que espero venha a ser alvo da apreciação e da crítica.


ZHANG DAQUIAN

16 de Fevereiro de 1947, Ano Ding Hai (originalmente publicado na primeira colecção “Reproduções de Frescos de Zhang Daqian”, Primavera de 1947, Editora Shanghai Sanyuan.)

 

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