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Os Sabores das Nossas Memórias

“A tradição culinária macaense – resultante de cinco séculos de contactos constantes entre a Europa, a China e o Mundo – é hoje uma lembrança como poucas de que o nosso mundo é feito de encontros, de misturas e, depois, de novas separações, de re-significações, de novas identidades. O movimento é pendular mas é constante. Há algo de universal na comida que apela aos humanos e até grandes recorrências no paladar. Mas, ao mesmo tempo, a comida que escolhemos para nós e os nossos e que desejamos consumir é um dos repositórios mais incontornáveis dos nossos afectos identitários. Será isso um paradoxo? Seria, se a história não fosse uma constante transformação. [...] Fernando Sales Lopes, entendido como poucos, muito para lá do observador distanciado, é um observador participante. O seu texto guia-nos através de um percurso que parte da gastronomia propriamente dita – esses fascinantes sabores de diferença macaenses, cujas evocações são tão múltiplas e que acabaram por ser uma comida de identidade tanto em Macau, como um pouco por todo o mundo onde a diáspora macaense levou os cosmopolitas que em Macau se vão criando. Da gastronomia o autor leva-nos às vivências sociais que ela convoca: da mais simples malga de arroz branco aos elaboradíssimos banquetes dos dias de festa. Este livro, portanto, é uma porta aberta para bem mais do que uma comida – o que já não é pouca coisa – é todo um troço da história da globalização na qual estamos cada vez mais envolvidos e que está inscrita em condimentos, em molhos, em modos de fazer e, sobretudo, em formas de fazer gente, de produzir pessoas através da consubstancialidade que a comunhão gastronómica produz. Longa vida à gastronomia macaense!”

Visão Indefinida + Digital

A pintura a tinta de Leung Kui Ting não é apenas sobre a representação realista de montanhas e cursos de água. Ao invés, a sua pintura afasta-se das formas originais e a criação surge através dos olhos do coração e da mente, integrando, dentro de si, uma percepção própria dos céus e da terra, alcançando, por fim, um estado em que o espírito se une com a realidade, onde o ‘eu’ aparece omitido. O artista chamou a este fenómeno 'visão indefinida'. É um tipo de 'ressonância iluminada' nas suas obras, que faz referência à filosofia de Zhuangzi de viajar pelo reino espiritual, onde a liberdade é encontrada através de uma excursão feliz que transcende os limites do tempo. Leung Kui Ting utiliza uma infinidade de pontos e linhas virtuais digitalizados. Embora aparentemente intuitivos, estes padrões representam as formas das montanhas, a força das águas, enfim, o espírito da arquitectura natural. Estão em linha com a natureza. Através de pinceladas, cada montanha e pedra transcende o seu próprio estado de materialidade. Tornam-se paisagens reconstituídas, plenas de significado. As texturas tradicionais das montanhas e pedras estão interligadas com pontos e linhas digitalizados, criando novos símbolos visuais através da sobreposição. Estes símbolos são importados para os seus 'genes digitais’, para criar novas paisagens. Com um processo de criação combinando os elementos de 'viagem' e ‘digitais’, Leung Kui Ting transforma a pintura tradicional a tinta em pintura de paisagem contemporânea, num contexto de tinta, próprio, que segue as imagens do reino espiritual.