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Os Sabores das Nossas Memórias

“A tradição culinária macaense – resultante de cinco séculos de contactos constantes entre a Europa, a China e o Mundo – é hoje uma lembrança como poucas de que o nosso mundo é feito de encontros, de misturas e, depois, de novas separações, de re-significações, de novas identidades. O movimento é pendular mas é constante. Há algo de universal na comida que apela aos humanos e até grandes recorrências no paladar. Mas, ao mesmo tempo, a comida que escolhemos para nós e os nossos e que desejamos consumir é um dos repositórios mais incontornáveis dos nossos afectos identitários. Será isso um paradoxo? Seria, se a história não fosse uma constante transformação. [...] Fernando Sales Lopes, entendido como poucos, muito para lá do observador distanciado, é um observador participante. O seu texto guia-nos através de um percurso que parte da gastronomia propriamente dita – esses fascinantes sabores de diferença macaenses, cujas evocações são tão múltiplas e que acabaram por ser uma comida de identidade tanto em Macau, como um pouco por todo o mundo onde a diáspora macaense levou os cosmopolitas que em Macau se vão criando. Da gastronomia o autor leva-nos às vivências sociais que ela convoca: da mais simples malga de arroz branco aos elaboradíssimos banquetes dos dias de festa. Este livro, portanto, é uma porta aberta para bem mais do que uma comida – o que já não é pouca coisa – é todo um troço da história da globalização na qual estamos cada vez mais envolvidos e que está inscrita em condimentos, em molhos, em modos de fazer e, sobretudo, em formas de fazer gente, de produzir pessoas através da consubstancialidade que a comunhão gastronómica produz. Longa vida à gastronomia macaense!”