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Exposições > Memória
Exposição Anual de Artes Visuais de Macau 2005

7/5/2005 - 17/7/2005

Macau para além da história

Foram inspirar-se “Para além da História” para propor novas reflexões sobre a Macau dos nossos dias. O público respondeu em massa, apresentando mais de 300 propostas. Cerca de um terço mereceu a aprovação do júri. A partir de sábado o julgamento da arte local é público, na V Exposição Anual de Artes Visuais que inaugura na Galeria Tap Seac, com mais obras de portugueses do que nunca. Algo que é do agrado do curador daquele espaço cultural, Chan Ieng Hin.

Tem cinco anos de história. “Não é uma longa tradição”, admite o curador da Exposição Anual de Artes Visuais, Chan Ieng Hin, que pretende que esta mostra se afirme “uma referência ao nível da arte local”. É já depois de amanhã que mais uma edição é inaugurada. Entre os seleccionados estão nomes conhecidos da arte local, como Lio Man Cheong e Lai Weng Chio ou Joaquim Cheong.

Todos os anos é lançado um concurso subjacente à exposição que anima o FESTIVAL DE ARTES DE MACAU, com o intuito de estimular a criatividade artística e descobrir novos talentos. A competição é aberta ao público em geral, mas nem sempre tal representa um atractivo para os artistas, que não querem ver misturadas as suas obras com as de pessoas que não trabalham as artes com a mesma profundidade. O curador explica que está na natureza desta competição a descoberta de novos talentos e outras há, promovidas também pelo Departamento de Artes Visuais do Instituto Cultural, mais orientadas para os artistas. É o caso da Exposição “Horizontes de Macau” que é mais profissional, pretendendo-se aí “um maior desenvolvimento ao nível dos conceitos e não apenas da expressão técnica”. Essa mostra, que vai estar patente em Setembro, também parte de uma competição que está agora na fase de selecção dos trabalhos.

Mesmo assim a organização deste evento decidiu fazer algumas alterações para ultrapassar o problema desta mostra ser aberta ao público e, por isso, não representar um estímulo tão forte para alguns artistas de Macau. Há assim uma nova secção nesta mostra, que inclui os dez melhores trabalhos a concurso.

Nesse espaço de eleição da Galeria Tap Seac vão estar patentes obras de alguns reputados artistas de Macau e também dos jovens artistas cujo talento emergiu nesta competição. Os nomes dos eleitos do júri são conhecidos no dia da inauguração.

Para além desta novidade, é de notar que este ano houve mais portugueses e estrangeiros, residentes de Macau, a submeterem-se à apreciação do júri deste concurso. Isso mesmo assegura o curador que pretende que “mais e mais artistas portugueses participem neste evento pois também eles fazem parte da sociedade de Macau e alguns tem muito valor”. Chan vê mesmo no contributo dos portugueses muita importância, porque revela “uma outra forma de pensar sobre as coisas”. E dá o exemplo da proposta de João Ó Bruno Soares e Manuel Vasconcelos Correia da Silva, cujo projecto na área da instalação “é de manifesta qualidade”.

Chan adianta que “o trabalho destes dois portugueses, que são jovens, intitulado ‘Fronteiras sem Limites’ proporciona uma perspectiva diferente sobre Macau”. Se os artistas chineses expressam mais a sua identidade, os portugueses não perdem de vista a sua cultura mais europeia e ocidentalizada, acredita. “Macau é feito dessa mistura e se não fosse isso, seria apenas mais uma cidade chinesa. Por isso, tal deve estar representado nesta mostra que tem um pendor tão local”.

 

A popularidade da fotografia

O Instituto Cultural recebeu 350 trabalhos de 177 artistas, evidenciando assim um acréscimo de participação nesta competição. “Houve mais candidaturas na área da pintura ocidental e na fotografia”, mas foi a escultura que surpreendeu a organização: “Nunca recebemos tantas propostas nesta área antes, nem era um secção muito relevante”. Chan explica que a grande maioria desses trabalhos têm assinatura de jovens artistas, estudantes do Instituto Politécnico de Macau.

Apesar da escultura estar mais bem representada nesta edição, a fotografia continua a ser a favorita de Macau. “A maioria das candidaturas é nesta área”. Chan arrisca uma explicação: “Têm vindo a ser organizadas mais e mais competições de fotografia em Macau, o que poderá ter aumentado o número de artistas nesta área. Para além disso, o equipamento é fácil de adquirir e há muitas pessoas que têm máquina fotográfica”.

Mas o curador acredita que a qualidade continua a ser tónica dos trabalhos de design. Mas não deixa por isso de ver com bons olhos a participação diversificada quanto às artes, algo que só foi permitido na competição em 2002. “Sentimos, nessa altura, que o meio artístico não estava a ser devidamente valorizado nem pelos artistas nem pelo público”. Ou seja, artistas de meios diferentes não se cruzavam na grande arena das artes. “Não iam ver as exposições uns dos outros, e as competições em Macau eram demasiado específicas, não fomentando esse encontro num mesmo evento. “A cisão não era benéfica e tornou-se importante aproximar mais as várias artes e criar uma maior abertura com vista a um conhecimento mais abrangente relativamente aos meios utilizados em Macau”.

A avaliar todos os trabalhos esteve uma mesa de jurados que reflecte essa diversidade de artes que tanto caracteriza a Exposição Anual de Artes Visuais de Macau. “Convidámos artistas e professores para avaliarem as obras a concurso, sem conhecimento do nome dos autores”. David Miller é professor de uma universidade do Canadá dedicada ao ensino das artes. Apreciou os trabalhos dos artistas de Macau como o conhecido designer de Hong Kong, Tommy Lee, e o taiwanês Chen Hsien Tung. Dong Xiao Ming, de Shengzhen, e Yu Chang, um conhecido escultor de Cantão, compõem a mesa de jurados.

Não foi convidado nenhum perito de Macau para o julgamento das obras porque “isso tem causado problemas em outras edições”. Explica Chan que “são muitas vezes assediados pelos concorrentes, o que causa algum mau estar, porque procuram formas de os persuadir a eleger o seu trabalho, perturbando a imparcialidade que deve ser um ponto de honra neste tipo de eventos. “É uma questão muito desagradável”, confessa.

 

A evolução temática da mostra

A Exposição Anual de Artes Visuais tem evoluído de ano para ano, reformulando-se a sua estrutura para melhor se adaptar à realidade de Macau. Mas também ao nível das temáticas sugeridas se encontra um caminho que poderá um dia ser analisado segundo essa sequência. Em 2003 era a reflexão sobre o património cultural o tópico sugerido pela organização. “O resultado foi uma exposição com arte mais contemporânea sobre as mudanças que operavam na China Continental e o risco que isso implicava para o património”. O curador considera que foi um sucesso, pois a mostra despertou muito interesse no Continente, na sua itinerância por algumas cidades chinesas importantes como Nanjing e Pequim. “Os trabalhos foram vistos por cerca de 30 mil pessoas”.

As reacções do continente à arte de Macau têm sido “positivas”. Por lá, “os artistas de Macau são entendidos como sendo muito abertos e com pontos de vista diversificados”, garante o curador.

O ano passado “julgámos importante fazer com que os artistas reflectissem sobre o cruzamento de culturas em Macau, tendo em perspectiva não só a preservação do passado mas também o futuro”.

Este ano depois de consultarmos as associações de artistas locais como é costume, decidimos que o tema seria “Património Cultural de Macau – Para além da história”. Ou seja, pretendia-se que o passado fosse apenas um dado a pesar nas ideias dos artistas. “A ideia era construir o futuro e reflectir sobre este, procurando soluções”.

A par da V Exposição Anual de Artes Visuais de Macau vão decorrer workshops. O objectivo destas oficinas é criar um público mais interessado pelas artes. “Haverá workshops destinados às famílias, às crianças e outras actividades didácticas como conferências de artistas e de peritos em arte do estrangeiro”. Também o júri virá a Macau dar palestras. “A sua opinião sobre os trabalhos expostos será importante para o desenvolvimento da arte em Macau”, remata Chan.

 

INSTITUTO CULTURAL

INFORMAÇÕES ADICIONAIS

Exposição Anual de Artes Visuais de Macau 2005
“Património Cultural de Macau – Para Além da História”

Dia 26 de Março – Sábado

Galeria Tap Seac

18:00 horas

Patente até 26 de Junho de 2005 das 10:00 às 19:00 horas
Entrada livre

 Em Detalhe
Data 7/5/2005 - 17/7/2005
Horário 10:00 - 19:00
Organização Instituto Cultural do Governo da R.A.E. de Macau